Arquivo para Julho, 2008

NOTA ZERO

Todas as pessoas, durante sua vida, por vários motivos e em várias situações já “tiraram” um zero. Um zero não é diretamente proporcional a reprovação – vários zeros sim. Mesmo sendo o símbolo do nada, do d’coisa nenhuma, da ausência, o zero diz muito. Diz que você não serve, que você não aprendeu ou não estudou o suficiente, que nada vale, que você errou… ou, que “VOCÊ ASSIM NUNCA SENTA AQUI”.

Como assim um zero pode definir sua vida para sempre? Não é assim que aprendi. Aprendi que depois o zero tem o um, uma outra tentativa, depois do zero tem a possibilidade de mudar a nota. O zero não é o nunca. Não estou aqui dizendo que esse nunca irá mudar a minha vida, pois não acredito nesta filosofia, aliás, acredito que também não acredite.

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS

Passar a primeiro colocado, quando diz respeito a bilheteria, em um final de semana e ser 70 milhões mais barato do que o atual segundo lugar no ranking de bilheteria (Homem Aranha 3), o Cavaleiro das Trevas realmente merece, aliás ele é dono de todo o mérito do que ainda poderá alcançar.

Para decidir se verá ou não algum filme no cinema é primordial que se observe o título e o cartaz; se não for o suficiente veja o trailer. E não pense que isso seja idiota, pois não é. Muitas vezes saí do filme insatisfeito pelo roteiro, efeitos ou defeitos especiais, escolha do elenco ou mentiras possíveis ou verossímeis. Mas só porque não percebi o cartaz ou não incorporei o título. Quando assistir, por exemplo, 007 ou As Panteras, é de se esperar manobras e malabarismos irreais, e mesmo que sua razão saiba que não é possível, torna-se sim, ali na telona, e o melhor, sem problemas de extrapolar na mentira. O filme é assim e pronto.

Entretanto, desta vez, não havia nenhuma mentira muito apelativa. Tudo dentro do que o homem-morcego seria capaz de fazer com tanta habilidade e infra-estrutura. Desta vez não foi só um desfile de apresentação, por outro lado, menos apresentação e mais emoção com um roteiro inteligentíssimo. Que faz você achar o tempo todo qual seria a próxima cena, até que o óbvio deixa de ser assim tão óbvio.

LENDA URBANA (PARTE 1)

Sabe aquelas pessoas estranhas, que povoam, involuntariamente, ao meu ver, nossa rotina? Aquelas pessoas que você não sabe de onde vieram, o que fazem quando não estão ali, se estudou, se construiu família, se são malucos, enfim…

Uma dessas pessoas é um homem, já em sua meia idade, que fica “limpando” um portão de um edifício abandonado, ao lado de uma “Igreja Universal do Reino de Deus”. Digo limpando, porque é isso que ele parece fazer: com a manga de sua camisa violeta, esfrega constantemente, como uma dona de casa frenética, louca por limpeza, que nunca está satisfeita. Acima do peso; de barba escura, por fazer, pernas e pés muito sujos. Como se não tomasse banho há dias… Meses talvez.

É a mesma cena todos os dias. Eu no ônibus, lendo até fazer uma pausa para olhar o maníaco por limpeza. “O que ele tanto limpa? Será que é limpeza? Será que ele tem família? É alienado além de marginal? Não bate bem da cabeça?” – penso. Muitas questões que não serão explicadas, pois não chegarei mais perto do que a distancia do ônibus na rua e dele na calçada da igreja.

A segunda pessoa é um senhor, até bem vestido, mais velho do que o citado antes, aliás, um senhor idoso. Os poucos cabelos ao redor de sua cabeça já brancos, sua testa e pescoço enrugados. Todas as quistas-feiras, ao passar no caminho de casa ele fica em frente a uma pizzaria, comendo biscoito recheado, geralmente sabor morango. Não olha para cima, nem para os lados; sempre para baixo. Imóvel, nem um passo a frente, nem ao lado, ou aquelas voltinhas que damos em volta de nós mesmos quando estamos entediados.

O que este homem está pensando quando passo. Às vezes dá vontade de atravessar a rua e sentar no ponto do ônibus para ver para onde o homem vai depois daquele frenesi todo.

É… dá vontade de saber muita coisa.

DIA DESSES…

Existem conhecidos e até amigos que você só encontra por acaso. Não adianta combinar um almoço, jantar… mas basta, despreocupadamente, entrar em um metrô lotado e descobrir que aquela mochila que está com alguma coisa pontiaguda te cutucando as costas é daquele amigo que não via há meses, talvez anos.

Geralmente esses encontros não têm muita duração e de ambas as partes o entusiasmo toma conta – saem perguntas atrás de perguntas, atropelando respostas. É certo que se não tudo mudou, algo sim; seja namorado, estado civil, bairro, trabalho… Por isso à vontade de saber de tudo para não se distanciar mais ainda.

Depois que você percebe que é muita informação, que não dará em poucos minutos como se interar dos anos e meses perdidos, iniciam conversas de antes. Lembranças! Coisas boas ou ruins que marcaram um tempo, um momento, um passado. E logo que termina – depois de uma despedida acalorada de saudades-, o presente entra em cena, porém esta vez somente em seu pensamento.

Como se um espelho materializasse em sua frente, um espelho que os outros não vissem. Só você o vê. E nele (claro!) seu reflexo. Suas roupas, seu corpo, seus pertences. Hora de identificar o que continua igual; o que piorou ou melhorou.

Não houve mudanças.

Mesmo não tendo mudanças, tenho a impressão de que é assim mesmo. A amizade, neste caso, se conserva pela distancia. E o espelho aparece para mostra-nos que as coisas não mudaram, mesmo depois de tanto tempo.

Não sei muito bem se essa sensação tem nome, se assemelha com saudades, mas ainda não é isso. Não sei… O que sei realmente é que o filme do Batman estreará nesta sexta-feira, dia 18. Não estarei lá, mas meu ingresso já foi comprado para os próximos dias.

SUPER-HIPER-MEGA-BLOG-FAMOSO

Há uns dois anos que surgiu a idéia do G-uniq. Mas não foi assim de relance. Primeiro, me vi fascinado pela idéia de ter um site de entretenimento gay que já existia, só seria reformulado. Não deu muito certo… Logo vi que poderia fazer algo em menor escala: um blog – afinal a estrutura está pronta na Internet, só precisaria colocar do meu jeito. Confesso que não pensei muito – gente; comportamento; gente; rotinas; gente… pessoas… únicas. G de gente, uniq de “único” em francês – unique-, que retirando o “ue” do final, daria o mesmo efeito sonoro e a logomarca ficaria mais bonita. Tudo pronto, agora seriam necessários textos e pessoas para lerem. Convidei alguns amigos para fazerem parte desse projeto e participaram por algumas semanas, mas logo a vida, recheada de afazeres, os roubou de mim. Tentei umas duas ou três vezes retomar a meu projeto, mas não tive muito sucesso.

Foi quando hoje me deparei com a matéria de capa da REVISTA O GLOBO de domingo, que trouxe, como mesmo disse, “a primeira bloqueira a fazer sucesso no Brasil” (Clarah Averbuck). E pus-me a pensar sobre a decadência que é o G-uniq, seja por falta de textos ou de leitores. O caso da Clarah foi inverso do meu. Ela escrevia porquê gostava de escrever, continuaria escrevendo caso não existisse o blog ou internet. E o público foi conseqüência dessa vontade. Já o meu caso – atrapalhado, caso – foi querer ter público sem às vezes querer escrever. Ou, pensava que com público me forçaria escrever mais, nem melhor ou pior, mais.

Ultimamente penso no que escrever, até escrevo, mas não publico.

Deixarei, daqui para frente, as coisas andarem como tem que andar.

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