É só constatarem que uma coisa ou trabalho possa gerar lucro que pipocam projetos por todos os lados. O que vem acontecendo nos últimos meses com revistas voltadas ao público homossexual masculino. Pelo menos duas já nas bancas e uma fazendo suspense para estrear. Todas têm incomum a idéia de instituir o gosto pela leitura de boa qualidade. São profissionais engajados politicamente e socialmente com algo interessante a passar. Mas até aí todas as outras já dizem o mesmo, contradizendo-se ou não em suas publicações, esse é sempre o discurso.
O capital se comporta assim já não é de hoje, quando há procura sempre terá oferta, esta que pode demorar a chegar às prateleiras, porém quando chega, chega também a concorrência. E nada melhor do que brigarem pelo publico qualificando seus conteúdos e testando profissionais novos. Na teoria quem ganha com isso é o leitor, mas em longo prazo na prática ele perde.
Quando um produto é criado têm suas características, mas se a concorrência se destaca em alguma coisa, é hora de pensar em algo para apelar. É apelando que o conceito inicial se transforma – nem sempre para melhor. Onde quero chegar com isso? Duas questões: 1) Essas publicações ainda estão ao lado das chamadas de entretenimento adulto com nudez, nas bancas de jornal. Porquê? 2) Modelos seminus estampam muitas páginas ainda. Porquê?
A primeira questão chamou atenção ao ir comprar as duas revistas do mercado em uma banca de jornal. Olhei nos mostruários e localizei-as, lá no alto, perto de umas revistas com tarjas pretas. Estranho! Na banca de cara vi: NOVA, Marie Claire etc. Do outro Lado: Galileu, SUPERINTERESSANTE. Do outro algumas de informática e várias sobre televisão e artistas. Quando finalmente cansado pela procura perguntei: Boa tarde! Você tem a Junior ou a DOM? A resposta foi um apontar de dedos para um cantinho e lá estavam elas, ao lado de G Magazine e em meio a filmes
pornôs.
Não sei dizer se a questão de organizar a banca é possível o distribuidor opinar, mas não achei legal. Não por não consumir as outras ao seu redor, mas por uma revista com outra vertente estar ali. Quem não conhece, não procura saber ou tem vergonha de comprar, ao ver a tal revista com um homem com corpo sarado, de sunga, sem camisa, vai achar que é de nu artístico. Estão vendo quando o apelo interfere na construção de algum projeto com concorrência? Porque será que a VOGUE HOMEM ou Men´sHealth não ficam perto? Porque é para público heterossexual? O conteúdo é sobre corpo masculino, moda masculina, comportamento e beleza masculina. Ora, isso é questão de gênero não de sexualidade!
São revistas excelentes, mas ainda pecam com o paradigma de que o homem homossexual compra só por ter homens seminus.
Estranhou-se de alguma forma a frase à cima, você está no meu time e sabe que tudo é balela, no fundo no fundo é isso mesmo, e o que me resta? Ler a revista em minha casa reservadamente, enquanto no metrô, ônibus ou carro leio as outras… sem apelos.

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